Cannabis: ainda faltam estudos ou falta interpretar as evidências?

Estudos sobre cannabis e o que a ciência ja sabe

Desde 1986, o número de publicações científicas sobre cannabis explodiu exponencialmente.

Os números variam conforme:

  • a base utilizada (PubMed, Scopus, Web of Science etc.),
  • os termos pesquisados (“cannabis”, “marijuana”, “cannabinoids”, “CBD”, “THC”),
  • e o tipo de publicação incluída.

Mas os levantamentos bibliométricos mais aceitos mostram que:

Hoje existem mais de 50 mil artigos científicos revisados por pares sobre cannabis indexados no PubMed.

Mais de 70% de toda essa literatura foi publicada apenas nos últimos 10 anos.

Nos anos 1980, havia menos de 2.000 estudos acumulados sobre cannabis.

Entre 1990–1999, foram publicados menos de 3.000 artigos no total.

Entre 2010 e 2020, houve um crescimento explosivo, ultrapassando 23 mil publicações somente nessa década.

Uma análise bibliométrica publicada no Journal of Cannabis Research demonstrou que:

  • o crescimento mais intenso ocorreu após os anos 2000;
  • medicina, farmacologia, neurociência e genética lideram as áreas de pesquisa;
  • EUA, Canadá e Reino Unido concentram a maior produção científica.

Outro levantamento recente avaliando 37.444 artigos entre 1974–2024 mostrou que:

  • a produção científica começou a acelerar fortemente a partir dos anos 1990;
  • após 2005 o crescimento tornou-se praticamente exponencial;
  • em 2021 já havia mais de 2.700 artigos publicados em um único ano.

Ou seja:

A ideia de que “faltam estudos sobre cannabis” já não corresponde mais à realidade científica atual. O que existe, na verdade, é:

  • heterogeneidade metodológica,
  • diferentes níveis de evidência,
  • dificuldades regulatórias,
  • e uma enorme diferença entre evidência para cada condição clínica específica.

Para algumas áreas já há evidência robusta:

  • epilepsias refratárias,
  • dor neuropática,
  • espasticidade,
  • náuseas induzidas por quimioterapia.

Enquanto outras ainda possuem evidência limitada ou conflitante:

  • ansiedade,
  • tinnitus/zumbido,
  • fibromialgia,
  • distúrbios hormonais,
  • odontologia canabinoide,
  • doenças autoimunes,
  • performance esportiva,
  • regeneração tecidual.

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